domingo, 15 de janeiro de 2012
sexta-feira, 13 de janeiro de 2012
quarta-feira, 4 de janeiro de 2012
Balanço
Ainda ontem conversava com um amigo sobre as dificuldades de manter um blogue quando se é acadêmico. Depois de passar horas lendo e escrevendo sobre os assuntos mais estapafúrdios, guerra irregular, no meu caso, e cyber-coisas, no dele, escrever por prazer pode ser um martírio. Porque chega um momento do dia em que tudo o que o cérebro quer é água. Por mais que tentemos, o esgotamento mental é tão grande que as idéias simplesmente não surgem. Às vezes, nem mesmo surge a vontade. É tão mais fácil ver TV! Talvez haja uma forma de doutrinar, quem sabe, a cabeça para um último gás. Tipo o sprint do maratonista na reta de chegada. Ainda não descobri como fazê-lo, mas tenho um palpite que seja uma questão de prática. Então, já que ainda é Ano Novo, acho pertinente fazer pelo menos uma promessinha para o Gulag. Sobretudo tendo em vista o ridículo número postagens em 2011. Correndo o risco de deixar o blogue ainda mais pessoal do que já está - não era exatamente esta a idéia quando o criei -, proponho no mínimo uma postagem por semana em 2012. Acreditem, é um tremendo desafio. Veremos se conseguirei cumpri-lo.
sábado, 17 de setembro de 2011
Em Cena
Bueno, dane-se o prussiano. Segue o texto.
Já faz um tempo que sou espectador assíduo das peças do Porto Alegre em Cena. Todos os anos renovo minha Carteirinha da FUNAI e bato ponto na Usina do Gasômetro para comprar as entradas. Costumo chegar lá bem cedinho - o que não é fácil, uma vez que a venda de ingressos sempre inicia em um final de semana - na esperança de evitar filas quilométricas e ainda garantir bons assentos para cada espetáculo. Com a identificação de estudante no bolso, para conseguir os descontos que me cabem por direito, espero alegre, horas a fio, o momento de apontar para a moça do guichê os espetáculos que desejo assistir. Se não fossem os amigos, fiéis escudeiros que sempre me acompanham, talvez nem me dispusesse a viver essas emoções assim, anualmente. Mas o fato é que vou, ou melhor, ia.
Neste ano resolvi deixar o Festival para lá, dada a imensa carga de trabalho que tenho de vencer até o fim do semestre. Ao invés de mofar numa fila em uma manhã ensolarada de domingo, pedi a um desses amigos que comprasse um único ingresso para mim, pela internet mesmo. A idéia era poupar tempo e dinheiro, já que do ano passado para cá os ingressos sofreram um rompante inflacionário de assustar até uma Zélia de Mello. Depois de se irritar inúmeras vezes com o eficiente sistema de compras online do Festival, meu amigo ligou avisando que conseguira os tiquetes. O único porém era que os nossos assentos não eram tão bons, porque a peça era uma das mais procuradas e os ingressos estavam quase esgotados. Tudo bem, pensei, estas coisas são assim sempre. O importante é ter os lugares.
Já faz um tempo que sou espectador assíduo das peças do Porto Alegre em Cena. Todos os anos renovo minha Carteirinha da FUNAI e bato ponto na Usina do Gasômetro para comprar as entradas. Costumo chegar lá bem cedinho - o que não é fácil, uma vez que a venda de ingressos sempre inicia em um final de semana - na esperança de evitar filas quilométricas e ainda garantir bons assentos para cada espetáculo. Com a identificação de estudante no bolso, para conseguir os descontos que me cabem por direito, espero alegre, horas a fio, o momento de apontar para a moça do guichê os espetáculos que desejo assistir. Se não fossem os amigos, fiéis escudeiros que sempre me acompanham, talvez nem me dispusesse a viver essas emoções assim, anualmente. Mas o fato é que vou, ou melhor, ia.
Neste ano resolvi deixar o Festival para lá, dada a imensa carga de trabalho que tenho de vencer até o fim do semestre. Ao invés de mofar numa fila em uma manhã ensolarada de domingo, pedi a um desses amigos que comprasse um único ingresso para mim, pela internet mesmo. A idéia era poupar tempo e dinheiro, já que do ano passado para cá os ingressos sofreram um rompante inflacionário de assustar até uma Zélia de Mello. Depois de se irritar inúmeras vezes com o eficiente sistema de compras online do Festival, meu amigo ligou avisando que conseguira os tiquetes. O único porém era que os nossos assentos não eram tão bons, porque a peça era uma das mais procuradas e os ingressos estavam quase esgotados. Tudo bem, pensei, estas coisas são assim sempre. O importante é ter os lugares.
***
Cheguei ao teatro uns vinte minutos antes da peça começar. O espetáculo em questão tinha nome de dinossauro e um ator Global no elenco. Isso provavelmente explica porque os ingressos se esgotaram de forma tão rápida: não há quem não goste de dinossauros. Uma fila gigantesca já se formara em frente a porta. Encontrei meu amigo e aguardamos a bicha começar a se mexer para juntarmo-nos a ela. Após uma espera surpreendentemente curta, entramos no Salão de Atos e tomamos nossos assentos. A casa estava lotada. Desliguei o celular e esperei o sinal. As luzes enfraqueceram e o espetáculo teve início. Junto com ele, o meu martírio.
Todo o ano participo do Porto Alegre em Cena e todo o ano me esqueço como o público é burro. Por sorte ele nunca tarda a me lembrar. Acho surpreendente como o povo consegue ver graça em tudo. Por mais dramático que o texto seja, há sempre um engraçadinho para dar risada. Se a peça for declaradamente uma comédia, o circo está armado! Se for comédia e tiver palavrão, então, o bicho pega mesmo! Se bem que tendo palavrão já tá valendo. Acho que o pessoal não está acostumado a escutar gente falando cu, boceta, gozo, foder, etc. Na novela das oito não dizem esse tipo de coisa, até porque é pecado.
Dessa vez não foi diferente. Mal começara o espetáculo e as gargalhadas já rolavam soltas na platéia. Talvez as pessoas estivessem influenciadas pelo sábado a noite e pelo fato de terem trocado o conforto do lar e do Zorra Total pelo teatro. Não sei ao certo. O que sei é que, se no fim das contas meu assento nem era assim tão ruim, espacialmente falando, acabou se tornando uma merda graças aos tipos que me rodearam. Sentado à minha esquerda estava o sujeito que provavelmente mais gargalhou durante o espetáculo. Quando digo "gargalhar" espero que o leitor imagine alguém que tenta se comunicar com os atores do palco através do riso, mesmo estando a vinte fileiras de distância deles. Se não bastasse o volume da gargalhada, meu vizinho ainda se contorcia e projetava o corpo para frente a cada "piada" que escutava. O mesmo fazia a moça sentada na poltrona em frente: não basta gargalhar, o negócio é mostrar para todo o mundo como o texto é engraçado. Ela e seus vizinhos também riam risos largos e sonoros, ainda que com menos frequência. O barulho ao meu redor era tanto que por vezes não escutava o que os atores diziam. Por umas duas horas, estive sob fogo cruzado, tendo meus ouvidos massacrados por rajadas impiedosas de hahahas.
Na medida em que as gargalhadas não cessavam, aumentava o meu mau-humor e o meu descontentamento em relação ao espetáculo. Lá pelas tantas já nem conseguia prestar mais atenção ao texto ou à atuação. Só queria sair do teatro e me livrar daqueles risos. Não sou muito chegado a aglomerações humanas e esse tipo de público só faz com que eu reforce o meu asco. Ou será que sou eu que sou um mala? Será que é normal achar graça até onde ela não existe? Pouco importa. Naquele sábado nem os dinossauros conseguiram resgatar o meu humor.
Todo o ano participo do Porto Alegre em Cena e todo o ano me esqueço como o público é burro. Por sorte ele nunca tarda a me lembrar. Acho surpreendente como o povo consegue ver graça em tudo. Por mais dramático que o texto seja, há sempre um engraçadinho para dar risada. Se a peça for declaradamente uma comédia, o circo está armado! Se for comédia e tiver palavrão, então, o bicho pega mesmo! Se bem que tendo palavrão já tá valendo. Acho que o pessoal não está acostumado a escutar gente falando cu, boceta, gozo, foder, etc. Na novela das oito não dizem esse tipo de coisa, até porque é pecado.
Dessa vez não foi diferente. Mal começara o espetáculo e as gargalhadas já rolavam soltas na platéia. Talvez as pessoas estivessem influenciadas pelo sábado a noite e pelo fato de terem trocado o conforto do lar e do Zorra Total pelo teatro. Não sei ao certo. O que sei é que, se no fim das contas meu assento nem era assim tão ruim, espacialmente falando, acabou se tornando uma merda graças aos tipos que me rodearam. Sentado à minha esquerda estava o sujeito que provavelmente mais gargalhou durante o espetáculo. Quando digo "gargalhar" espero que o leitor imagine alguém que tenta se comunicar com os atores do palco através do riso, mesmo estando a vinte fileiras de distância deles. Se não bastasse o volume da gargalhada, meu vizinho ainda se contorcia e projetava o corpo para frente a cada "piada" que escutava. O mesmo fazia a moça sentada na poltrona em frente: não basta gargalhar, o negócio é mostrar para todo o mundo como o texto é engraçado. Ela e seus vizinhos também riam risos largos e sonoros, ainda que com menos frequência. O barulho ao meu redor era tanto que por vezes não escutava o que os atores diziam. Por umas duas horas, estive sob fogo cruzado, tendo meus ouvidos massacrados por rajadas impiedosas de hahahas.
Na medida em que as gargalhadas não cessavam, aumentava o meu mau-humor e o meu descontentamento em relação ao espetáculo. Lá pelas tantas já nem conseguia prestar mais atenção ao texto ou à atuação. Só queria sair do teatro e me livrar daqueles risos. Não sou muito chegado a aglomerações humanas e esse tipo de público só faz com que eu reforce o meu asco. Ou será que sou eu que sou um mala? Será que é normal achar graça até onde ela não existe? Pouco importa. Naquele sábado nem os dinossauros conseguiram resgatar o meu humor.
quarta-feira, 7 de setembro de 2011
до свидания!
Sinto uma dor cada vez que penso que tem um tempão que não escrevo aqui. Mais uma vez o Gulag foi abandonado. Não gostaria de deixá-lo as traças por muito mais tempo, mas por enquanto terá de ser assim. Tenho muito o que resolver com um certo prussiano antes de voltar a lidar com meus prisioneiros. до свидания!
terça-feira, 26 de julho de 2011
22/07
Na última sexta-feira, 22 de julho, um sujeito resolveu explodir uma bomba na capital da Noruega, Oslo, e, logo em seguida, metralhar jovens que se divertiam em um acampamento de férias. Segundo ele, a Escandinávia seria incapaz de perceber os perigos que a imigração e a miscigenação racial trariam ao seu povo. Caberia a ele, portanto, alertar os noruegueses para essas ameaças. A frieza que envolveu os atentados terroristas chocou o mundo. Até aí, nenhuma novidade. Esse tipo de coisa é cada vez mais comum e, como estudante de Relações Internacionais, Ciência Política e o caralho a quatro, pouco me impressionam. Ou melhor, pouco me impressionavam. Achei que essa tentativa de entender fenômeno de forma ciêntifica me blindaria de alguma forma quando ele ocorresse. Aquela manhã provou que eu estava errado. Ao ver as fotos do que acontecia em Oslo, praticamente em tempo real, tive vontade de chorar. Voltei no tempo para 2009, quando morei na cidade, e pensei nas vezes em que estive próximo do local atingido pelas explosões. Pensei na minha família, nos meus amigos, e na aflição que sentiriam ao saber que eu poderia ser uma das vítimas do atentado. Pensei em uma sociedade que era modelo de tolerância e de democracia e nas consequências nefastas que um acontecimento desse tipo traria a ela no longo prazo. Não há conhecimento empírico que nos blinde contra o mundo real. Inocência minha acreditar que estaria a salvo. Como o médico oncologista que vê um ente querido ser vítima de câncer. A dor de viver determinada situação, antes conhecida apenas pelos livros, pelas notícias do jornal ou pelos outros, é real. Na sexta-feira de manhã, aquele sujeito feriu dezenas de noruegueses, mas quantas outras pessoas não terão sido feridas ao redor do mundo? Parte de minhas lembranças sangraram.
sexta-feira, 24 de junho de 2011
Tigresa
Hoje entrei em uma loja cheia de
Peles e couros e panos que
Imitavam animais.
Uma moça vestida de tigresa desfilava
Pra lá e
Pra cá,
Com seus sapatos de salto e mini-saia,
Bolsa gigantesca e casaco combinando:
Ar de quem quer ser grande coisa
(Ainda que não seja).
Foi quando percebi que detrás da tigresa
Havia apenas uma
Vaca.
Peles e couros e panos que
Imitavam animais.
Uma moça vestida de tigresa desfilava
Pra lá e
Pra cá,
Com seus sapatos de salto e mini-saia,
Bolsa gigantesca e casaco combinando:
Ar de quem quer ser grande coisa
(Ainda que não seja).
Foi quando percebi que detrás da tigresa
Havia apenas uma
Vaca.
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