Tem uma galera desesperada, espumando a boca por toda a Interwebs porque as eleições tão chegando e os calos tão começando a doer. Daí ficam atacando geral, contando mentiras e enchendo o saco. Na boa, gente, não dá pra virar especialista em política-xis-pê-tê-ó do dia pra noite. Menos mimimi, por favor. Menos chorumela porque disso o mundo tá cheio. Desinformação é foda.
quinta-feira, 2 de outubro de 2014
quarta-feira, 4 de junho de 2014
Momento Perfeito
A verdade é que eu precisava tentar, mesmo sabendo que seria difícil. Algumas coisas têm de ser vividas. Mas farei um esforço e serei breve ao descrever o que chamo de "momento perfeito". Eles acontecem de vez em quando, e o sujeito tem de estar atento para percebê-los. Assim como vêm, vão. Daí, bau-bau (ou bye-bye). Não sei se todo mundo é capaz de senti-los. Se "momento perfeito" não te diz nada, é provável que eles nunca tenham acontecido pra ti. Paciência. Agora, se tu conseguiu pensar em um pela simples ideia que o nome evoca, então estamos conversados. Momentos perfeitos ficam grudados na memória e dão saudades. Acho que traduzem o que chamam de amor. Qualquer amor. Segue exemplo.
Por um minuto ficamos abraçados em completo silêncio.
A cidade também ficou em silêncio.
Era quase inverno e fazia frio.
Uma brisa gelada nas costas e um quarto amarelo.
***
Por um minuto ficamos abraçados em completo silêncio.
A cidade também ficou em silêncio.
Era quase inverno e fazia frio.
Uma brisa gelada nas costas e um quarto amarelo.
quarta-feira, 2 de janeiro de 2013
quinta-feira, 29 de novembro de 2012
Sobre Barulho e Escolas
O nível de desinformação que rola no Facebook e
a facilidade que as pessoas têm pra abraçar algumas bandeiras sem o
menor senso crítico é algo que me entristece. O mesmo vale para parte da
mídia que replica com levianidade os mesmos argumentos parciais que
infestam a rede. Vi muita gente sem noção comentando o caso da escola
União Criança nos útimos dias. Digo "gente sem noção" porque a impressão que tenho é que nenhuma das pessoas que
repostou mensagens de pais indignados se prestou a estudar o caso a
fundo. A maioria - se não todas - as mensagens assume um maniqueísmo
grosseiro: de um lado, as pobres crianças que "perdem o seu direito à
infância", como disseram por aí. De outro, a vizinha egoísta que
pretende "acabar com a educação no país", como também disseram por aí.
Gente, a discussão não é bem essa. Por trás de toda a história está a
direção do Grêmio Náutico União que desde 2007 vem tratando o caso com
descaso (rá!) sem tamanho.
Vamos aos fatos: a escola União Criança costumava estar localizada dentro do clube, em um espaço amplo, bem diferente do espaço em que se encontra hoje. A mudança ocorreu porque o clube resolveu construir um estacionamento onde antes ficava a escola. Estacionamentos são um negócio bem mais rentável que a educação. Todos sabem disso. No fim das contas, a escola foi transferida para uma casinha na Rua Marquês do Herval. De um lado dessa casinha mora a vizinha que entrou na justiça e que acabou sendo tratada como vilã da história, mesmo sem ser. Do outro lado, moro eu e minha família há 25 anos. A janela do meu quarto, aliás, dá exatamente para o pátio da escola. Estão dizendo por aí que o processo todo é um absurdo, que representa a vontade de uma pessoa contra a vontade de todos. Vontade de todos? Peraí! Quer dizer que a vizinhança do Grêmio Náutico União não faz parte desse todo? Desde que moro aqui (minha vida inteira!) o ruído oriundo do clube sempre foi um pé no saco. E tenho certeza de que não falo só por mim. Tanto que existe outro processo, movido por outros vizinhos, que reclamam justamente do barulho descomunal gerado pelo clube. Barulho esse que, diga-se de passagem, não tem dia nem hora pra acontecer, já que a sede Moinhos de Vento é "pioneira no oferecimento de serviços 24 horas".
Vamos aos fatos: a escola União Criança costumava estar localizada dentro do clube, em um espaço amplo, bem diferente do espaço em que se encontra hoje. A mudança ocorreu porque o clube resolveu construir um estacionamento onde antes ficava a escola. Estacionamentos são um negócio bem mais rentável que a educação. Todos sabem disso. No fim das contas, a escola foi transferida para uma casinha na Rua Marquês do Herval. De um lado dessa casinha mora a vizinha que entrou na justiça e que acabou sendo tratada como vilã da história, mesmo sem ser. Do outro lado, moro eu e minha família há 25 anos. A janela do meu quarto, aliás, dá exatamente para o pátio da escola. Estão dizendo por aí que o processo todo é um absurdo, que representa a vontade de uma pessoa contra a vontade de todos. Vontade de todos? Peraí! Quer dizer que a vizinhança do Grêmio Náutico União não faz parte desse todo? Desde que moro aqui (minha vida inteira!) o ruído oriundo do clube sempre foi um pé no saco. E tenho certeza de que não falo só por mim. Tanto que existe outro processo, movido por outros vizinhos, que reclamam justamente do barulho descomunal gerado pelo clube. Barulho esse que, diga-se de passagem, não tem dia nem hora pra acontecer, já que a sede Moinhos de Vento é "pioneira no oferecimento de serviços 24 horas".
Mas voltemos à escola: se o barulho já era ruim antes, ficou ainda pior. Na realidade, o volume de emissão sonora da escola é cinco vezes superior ao permitido por Lei. Isso foi atestado por perícia realizada a mando do TJ. Se é natural que crianças façam barulho, não é natural - muito menos saudável - que alguém esteja sujeito a esse barulho doze horas por dia. Imagina que tu quer falar ao telefone quando vinte cianças estão no pátio. Não dá. Agora imagina que tu quer ler. Também não dá. Imagina que tu quer estudar. Desiste, chapa. Agora imagina que tu depende justamente disso tudo pra sobreviver. Imagina que teu sustento está baseado em algum tipo de atividade que exige o mínimo de concentração. Esse é o caso da vizinha que moveu o processo, e esse é também o meu caso. Nos últimos cinco anos, tenho sido obrigado a ajustar a minha rotina à rotina da escola. Nesse tempo, compartilhei minha frustração com muita gente. É triste não conseguir fazer o que se tem vontade dentro da própria casa. Se alguém duvida que a situação seja essa, as portas estão abertas. Empresto o quarto pra quem quiser trabalhar uma tarde aqui. Se conseguir fazê-lo, ganha um doce. Salvem a União Criança, sim, mas salvem-na da negligência da administração do clube. E vamos ser mais criteriosos pra não difundir bobagens por aqui. Se alguém tiver interesse em conhecer melhor o caso, estarei debatendo a situação no programa Polêmica da Rádio Gaúcha (FM 93.7 / AM 600) amanhã a partir das 9h30.
quinta-feira, 22 de novembro de 2012
Incapaz
Ele detestava comer sozinho. Sentia-se triste. Quem come sozinho é
incapaz de amar. É um pária. Ninguém gosta de comer sozinho. Muito menos
de ser visto comendo sozinho. Imagina o que os outros pensam sobre quem
come sozinho. Pensam que quem come sozinho é um pária. Pensam que quem
come sozinho é incapaz de amar.
***
Lá
estava eu, sentado à mesa, comendo sozinho. Sentia-me incapaz de amar.
Sentia-me um pária. A comida me enojava. Eu, sozinho em um restaurante
de merda. Vida de merda. Nada é pior do que comer sozinho. Então ela
passou em frente ao restaurante e tudo ficou ainda pior. (Será que comer
sozinho em um restaurante bom é diferente de comer sozinho em um
restaurante de merda?) Mas o fato é que então ela passou em
frente ao restaurante e olhou lá pra dentro, diretamente pra mim. Eu,
sentado à mesa, sugando macarrão. Alguém incapaz de amar, sozinho em um
restaurante de merda, sugando macarrão. O retrato de um pária. Sujei a camisa de molho. Ela olhou lá pra dentro, diretamente pra mim, e seguiu caminhando. Na certa pensou que eu era incapaz amar.
domingo, 21 de outubro de 2012
Otenos ad Oaçarapes
O telefone calou.
De repente, não mais que de repente,
Gosto de cobre na boca.
De repente, não mais que de repente,
A dor parece uma bola de pêlo no estômago.
De repente, não mais que de repente,
A estranheza.
De repente, não mais que de repente,
Vômito.
De repente.
De repente, não mais que de repente,
Gosto de cobre na boca.
De repente, não mais que de repente,
A dor parece uma bola de pêlo no estômago.
De repente, não mais que de repente,
A estranheza.
De repente, não mais que de repente,
Vômito.
De repente.
terça-feira, 2 de outubro de 2012
Dor nos Dentes
Às vezes chego em casa com dor nos dentes. Tenho medo de perdê-los. Passo a língua sobre os molares, sobre os caninos e sobre os incisivos e todos parecem frouxos. A impressão que dá é que se pusesse um pouco mais de força na língua os dentes pulariam para fora da boca. A gengiva nem sangraria.
As raízes apodreceram.
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