Agosto, oitavo mês do calendário gregoriano. Recebeu este nome em homenagem ao fundador e primeiro do Império Romano, Caesar Augustus. Caesar Augustus, herdeiro de Iulius Caesar, cujo nome foi adotado pelo sétimo mês do calendário gregoriano, Julho. Iulius Caesar nasceu em treze de julho do ano cem antes de Cristo e Caesar Augustus morreu em dezenove de agosto do ano catorze depois de Cristo.
quinta-feira, 2 de agosto de 2012
quarta-feira, 25 de julho de 2012
O Segundo Beijo
O segundo beijo só aconteceu anos depois do primeiro. Nesse meio tempo segui mantendo vivas todas as fantasias que me levaram àquele Verdade ou Consequência. Não beijar, contudo, não foi uma opção. Foi antes fruto da minha própria baixa auto-estima, reforçada, talvez, pela experiência desastrosa da tentativa anterior. Isso não significa, claro, que eu não tenha me interessado por algumas meninas durante o hiato. Pelo contrário. Era gamado em uma colega e permaneci assim até terminar o Ensino Médio. Apesar disso, nunca consegui demonstrar que era a fim dela. Beijá-la, então, estava fora de cogitação. Na mesma época, também gostava de uma amiga de uns amigos meus. Jogávamos RPG religiosamente todos os finais de semana. Eu era o bobão do grupo. Divertia-me contar piadas, fazer as pessoas rirem. Sou assim até hoje quando estou entre conhecidos. Acho que foi o meu senso de humor que me garantiu uma nova chance.
Convidei todo o grupo de RPG para minha formatura de Ensino Médio. Ela inclusive. A festa foi em um clube bem pertinho de onde eu morava. Depois da colação de grau, comemos pizza na minha casa e em
seguida fomos caminhando até o baile. No caminho, ela se
aproximou de mim e ficamos falando bobagens. Aquilo me fez bem. Não vou negar que imaginava beijá-la naquela noite. A possibilidade me excitava. Ainda assim, pensava que nunca aconteceria. A simples idéia de iniciar um flerte qualquer que me levasse à sua boca me fazia suar frio. O quê eu poderia dizer? Como fazê-la perceber minhas intenções? Como me portar? Não tinha respostas para essas perguntas. Falar bobagens, na minha cabeça, não seria suficiente e por isso sabia que a noite terminaria sem que acontecesse porra nenhuma. Por sorte eu estava errado.
A iniciativa foi dela. Sentávamos juntos ela, dois colegas e eu. Acho que eles devem ter percebido que rolaria alguma coisa, pois em algum momento nos deixaram sozinhos e foram aproveitar o baile. Eu, bobo, não apenas deixei de notar o interesse dela como também fiquei chateado com meus amigos que encheriam a cara sem mim. Mas era minha missão como anfitrião da festa entretê-la, e portanto seguimos conversando. Entre um assunto e outro, senti que ela segurava minha mão. Ao perceber, meu coração disparou. Houve um silêncio incômodo e quando me dei por conta já estávamos nos beijando. E foi tudo natural. Não precisei dizer nada. Não precisei fazer com que ela percebesse minhas intenções. Não precisei me portar de maneira especial. Simplesmente aconteceu, e seguiu acontecendo até que as luzes do salão foram acesas. Voltei para casa cantando com os passarinhos.
quarta-feira, 4 de julho de 2012
O Primeiro Beijo
Eu devia ter uns catorze anos quando beijei pela primeira vez. Naquela idade, ser bv - o famoso boca virgem - era motivo de gozação. Os malandrinhos do colégio não perdiam oportunidades para zombar daqueles que, como eu, nunca tinham sentido a boca de outra pessoa. Eu não ligava para as piadas, ou, se ligava, não deixava a preocupação resplandecer. Atinha-me à idéia romântica, talvez até infantil, de que meu primeiro beijo seria algo especial. Para ser especial, teria de acontecer com alguém especial, em circunstâncias também especiais. Alimentava esse pensamento com força; desta forma me fazia imune ao chiste dos outros.
Naquele verão, fiquei interessado em uma menina. Era a prima de um vizinho meu. Veraniávamos na mesma praia desde muito tempo, mas até aquela temporada jamais havia reparado nela. Não sei ao certo o que aconteceu. O fato é que de uma hora para a outra aquela menina tornou-se alvo do meu desejo. Precisava beijá-la e precisava tornar o beijo aquela coisa especial. Falei de minhas intenções para um amigo. Ele era alguns anos mais velho do que eu e uma completa negação com as mulheres. Isso, contudo, não o empediu de conspirar em meu favor.
Certa noite, marcamos uma partida de Verdade ou Consequência. A brincadeira é bem simples: os participantes sentam em uma roda e, entre eles, coloca-se uma garrafa. Em seguida, gira-se a garrafa. O jogador para o qual o gargalo apontar deverá então escolher se deseja responder uma pergunta com sinceridade - a verdade -, ou se deseja cumprir uma tarefa - a consequência. Toda a gurizada do prédio se reuniu na garagem para jogar. Acho que éramos uns sete, incluindo a menina e eu. Depois de algumas rodadas de perguntas, respostas, e tarefas, a sorte finalmente me sorriu. O gargalo da garrafa se voltou para a menina, e o fundo para o meu amigo. Ela, pobrezinha, escolheu consequência. Não deu outra. Ele, sabendo de minhas intenções, exigiu que a menina me beijasse. Apesar de antever essa manobra, congelei. Ela também. Pela sua expressão, percebi que estava horrorizada. Na certa não tinha atração alguma por mim.
Depois de muito vai-não-vai, ela concordou em ir comigo para trás da garagem. O beijo aconteceu lá. Não foi nada mais do que um selinho, rápido e insosso. Eu, que esperava tanto do primeiro beijo, fiquei frustrado. Ela, enojada. Depois de mal enconstar seus lábios nos meus, a menina saiu correndo para casa. Fiquei sabendo, mais tarde, que ela chegou a lavar a boca com sabão. A notícia foi desastrosa. Fiquei triste e, como era de se esperar, nunca mais falei com a menina. Passei a vê-la com vergonha. Sentia que, de alguma forma, havia feito algo terrível. Sentia que a tinha violado. Depois disso, fiquei anos sem beijar alguém.
Naquele verão, fiquei interessado em uma menina. Era a prima de um vizinho meu. Veraniávamos na mesma praia desde muito tempo, mas até aquela temporada jamais havia reparado nela. Não sei ao certo o que aconteceu. O fato é que de uma hora para a outra aquela menina tornou-se alvo do meu desejo. Precisava beijá-la e precisava tornar o beijo aquela coisa especial. Falei de minhas intenções para um amigo. Ele era alguns anos mais velho do que eu e uma completa negação com as mulheres. Isso, contudo, não o empediu de conspirar em meu favor.
Certa noite, marcamos uma partida de Verdade ou Consequência. A brincadeira é bem simples: os participantes sentam em uma roda e, entre eles, coloca-se uma garrafa. Em seguida, gira-se a garrafa. O jogador para o qual o gargalo apontar deverá então escolher se deseja responder uma pergunta com sinceridade - a verdade -, ou se deseja cumprir uma tarefa - a consequência. Toda a gurizada do prédio se reuniu na garagem para jogar. Acho que éramos uns sete, incluindo a menina e eu. Depois de algumas rodadas de perguntas, respostas, e tarefas, a sorte finalmente me sorriu. O gargalo da garrafa se voltou para a menina, e o fundo para o meu amigo. Ela, pobrezinha, escolheu consequência. Não deu outra. Ele, sabendo de minhas intenções, exigiu que a menina me beijasse. Apesar de antever essa manobra, congelei. Ela também. Pela sua expressão, percebi que estava horrorizada. Na certa não tinha atração alguma por mim.
Depois de muito vai-não-vai, ela concordou em ir comigo para trás da garagem. O beijo aconteceu lá. Não foi nada mais do que um selinho, rápido e insosso. Eu, que esperava tanto do primeiro beijo, fiquei frustrado. Ela, enojada. Depois de mal enconstar seus lábios nos meus, a menina saiu correndo para casa. Fiquei sabendo, mais tarde, que ela chegou a lavar a boca com sabão. A notícia foi desastrosa. Fiquei triste e, como era de se esperar, nunca mais falei com a menina. Passei a vê-la com vergonha. Sentia que, de alguma forma, havia feito algo terrível. Sentia que a tinha violado. Depois disso, fiquei anos sem beijar alguém.
segunda-feira, 7 de maio de 2012
Puto(s)
Puto é uma palavra engraçada. Puto, na verdade, são muitos. Reza a lenda que vem do latim putu, que por sua vez significa menino ou rapaz. Em Portugal, o termo manteve seu significado original. Já no Brasil, puto passou a designar, segundo a maior parte dos dicionários, alguém "corrompido", "devasso" ou "dissoluto". Vai ver todos os homens que vendiam sexo na Colônia eram jovens e, portanto, chamados corriqueiramente de putos. Ou será que puto surgiu da masculinização de Puta, deusa romana das colheitas? Segundo Arnóbio, o Velho, as festas em honra à deusa eram tremendos bacanais regados à prostituição sacerdotal. Isso explicaria o significado do termo puta, com "a" no final, em muitos países de fala latina. Quem sabe? O que importa - e é aqui que queria chegar desde o início - é que puto pode significar, ainda, em linguagem informal do Brasil, "nada", "coisa nenhuma", ou um "estado de irritação tremanda". Não creio ser necessário saber a origem exata da gíria para parabenizar o gaiato que a criou e, possivelmente, difundiu. Há poucas palavras que dão mais prazer ao falante do que puto. As quatro letrinhas preenchem a boca em perfeita e sonora harmonia. "Estou puto". Só quem já se sentiu um belíssimo "coisa nenhuma" imerso em um "estado de irritação tremenda" entenderá a beleza do termo quando precedido pelo verbo "estar" no presente do indicativo.
quinta-feira, 5 de abril de 2012
sábado, 10 de março de 2012
KONY 2012?
A mais nova onda nas redes sociais é falar sobre o projeto KONY 2012, patrocinado pela ONG norte-americana Invisible Children. Nem me darei ao trabalho de disponibilizar o link para o video, já que dificilmente alguém ainda não o viu. O fato é que, de uma hora para outra, os horrores que a guerrilha liderada por Joseph Kony, o Lord's Resistance Army (LRA), vem perpetrando em algum lugar da África Central desde meados da década de 1980 foram expostos ao público e tornaram-se a mais nova bandeira de uma legião que até então pouco se interessava por Uganda, pela República Democrática do Congo, pela República Centro Africana ou pelo Sudão do Sul. Até aí, tudo bem. A internet tem este poder. Apresente um problema qualquer em um video bem produzido e voilá! O retorno é praticamente garantido. Em algum lugar do mundo alguém irá se identificar com a sua questão e, possivelmente, contribuirá com alguma grana. Dependendo do caso, a atitude é de fato louvável. Há pouco tempo, aqui mesmo em Porto Alegre, um grupo resolveu chamar a atenção para a falta de sinalização nas paradas de ônibus da cidade. A causa, também divulgada através de um video, logo chamou a atenção das autoridades responsáveis pela circulação de veículos na capital, que de pronto passaram a trabalhar para resolver o caso. A idéia por trás deste tipo de iniciativa é, de fato, cativante. Não só expande o velho ditado ambientalista - "pensar globalmente, agir localmente" -, mas também convida todos à mobilização popular. O problema é quando este tipo de ação se baseia em soluções que são, no mínimo, questionáveis.
No video, a Invisible Children pede que o governo dos Estados Unidos - mas também que celebridades do cinema, do esporte e da música - posicionem-se ativamente para promover a captura de Kony. A ONG sugere que a melhor maneira de o país demonstrar a sua indignação com os crimes do LRA é treinar e possivelmente armar combatentes locais até que estes cumpram a missão de levar Kony ao Tribunal Penal Internacional (TPI) em Haia. Como se isso fosse fácil. Caro Jason Russel, pai do KONY 2012, permita-me dizer: não é. Bem pelo contrário. Dar cabo a um movimento de guerrilha é uma tarefa das mais complicadas. A história está cheia de exemplos - alguns bem recentes - para confirmar esta afirmação. Mas a proposta de Russel não é furada simplesmente pela dificuldade empiricamente comprovada de se vencer uma guerrilha. O que a torna ainda mais frágil é o fato de estar amparada sobre uma completa ignorância em assuntos militares. Esta ignorância foi reconhecida e questionada em diferentes artigos que surgiram em resposta ao barulho causado pela campanha. Não pretendo, portanto, repetir ou revisar os argumentos de gente como Jack McDonald ou Grant Oysten. Eles estão disponíveis gratuitamente para quem se interessar em ter uma visão mais realista do problema. Mais realista pois não acredita que guerras possam ser vencidas com cartazes, adesivos e pulseirinhas. Mais realista pois compreende que guerras só terminam, infelizmente, quando há derramamento de sangue.
Mas é claro que uma ação que apresentasse o problema da África Central desta forma jamais ganharia a atenção do público. Pelo contrário. É bem possível que as pessoas que hoje comentam a campanha freneticamente no Facebook e no Twitter fechassem os olhos para o video e continuassem a matar seu tempo com virais mais despretenciosos. De certa forma, a Invisible Children acertou ao veicular a idéia de que é possível acabar com um conflito da frente de um computador. Seus cofres certamente ficarão bem mais recheados nos próximos dias. Pena que ao mesmo tempo a ONG tenha contribuido para a alienação daqueles que pensam que guerras só acontecem por que há no mundo mocinhos e bandidos.
No video, a Invisible Children pede que o governo dos Estados Unidos - mas também que celebridades do cinema, do esporte e da música - posicionem-se ativamente para promover a captura de Kony. A ONG sugere que a melhor maneira de o país demonstrar a sua indignação com os crimes do LRA é treinar e possivelmente armar combatentes locais até que estes cumpram a missão de levar Kony ao Tribunal Penal Internacional (TPI) em Haia. Como se isso fosse fácil. Caro Jason Russel, pai do KONY 2012, permita-me dizer: não é. Bem pelo contrário. Dar cabo a um movimento de guerrilha é uma tarefa das mais complicadas. A história está cheia de exemplos - alguns bem recentes - para confirmar esta afirmação. Mas a proposta de Russel não é furada simplesmente pela dificuldade empiricamente comprovada de se vencer uma guerrilha. O que a torna ainda mais frágil é o fato de estar amparada sobre uma completa ignorância em assuntos militares. Esta ignorância foi reconhecida e questionada em diferentes artigos que surgiram em resposta ao barulho causado pela campanha. Não pretendo, portanto, repetir ou revisar os argumentos de gente como Jack McDonald ou Grant Oysten. Eles estão disponíveis gratuitamente para quem se interessar em ter uma visão mais realista do problema. Mais realista pois não acredita que guerras possam ser vencidas com cartazes, adesivos e pulseirinhas. Mais realista pois compreende que guerras só terminam, infelizmente, quando há derramamento de sangue.
Mas é claro que uma ação que apresentasse o problema da África Central desta forma jamais ganharia a atenção do público. Pelo contrário. É bem possível que as pessoas que hoje comentam a campanha freneticamente no Facebook e no Twitter fechassem os olhos para o video e continuassem a matar seu tempo com virais mais despretenciosos. De certa forma, a Invisible Children acertou ao veicular a idéia de que é possível acabar com um conflito da frente de um computador. Seus cofres certamente ficarão bem mais recheados nos próximos dias. Pena que ao mesmo tempo a ONG tenha contribuido para a alienação daqueles que pensam que guerras só acontecem por que há no mundo mocinhos e bandidos.
Assinar:
Postagens (Atom)

