quarta-feira, 18 de maio de 2011
Mockingbird
Mockingbird stays on his twig
Right in front of my window
With his delicate, almost imperceptible smile
Mocking me because while he's already awake and singing
I can barely get out of my bed.
segunda-feira, 9 de maio de 2011
Ipanema, 19h45
Senhoras saem de casa
Trajando seus melhores vestidos,
Anéis de ouro, brincos de ouro, colares de ouro,
Cabelos de prata
E vão à lanchonete comer baurus
Já não é 1962.
sexta-feira, 8 de abril de 2011
quarta-feira, 30 de março de 2011
Louva-a-Deus
Fazia tanto tempo que não via um
Que tê-lo encontrado só pode significar
Boa sorte.
sexta-feira, 25 de março de 2011
Burlamáquina
Tive minha primeira ereção aos nove anos de idade. Talvez essa até não tenha sido a primeira, mas foi a que ficou na memória como tal. Era maio de 1996 e a cidade estava repleta de outdoors anunciando a Playboy do mês. Na capa estava uma moça chamada Paula Burlamaqui. Lembro de vê-la da janela, em tamanho gigante, insinuando-se para mim sobre um tapete de peles. Ia com minha mãe para algum lugar da Zona Norte quando o carro parou em um sinal. Foi assim, de dentro do automóvel e ao lado de minha mãe, que a tal da ereção aconteceu. Na hora gelei. Não estava acostumado com aquilo e nem mesmo sabia ao certo o que estava acontecendo comigo. Naquela época, o sexo era algo bem etéreo para um guri de nove anos. Já tinha visto uma ou outra revista de mulher pelada, mas até aquele momento jamais sentira atração pelas moças das fotos, que eram, ao fim e ao cabo, apenas fotos.
Naquela tarde, contudo, Paula mudou de uma vez por todas a forma como eu veria as mulheres. Dali em diante, as moças das fotos não seriam mais feitas apenas de tinta e de papel: tornar-se-iam reais, de carne. Tornar-se-iam objetos de desejo. Fiquei meio embasbacado, olhando para o anúncio. Admirava o cabelo de Paula, o contorno de sua boca e, acima de tudo, admirava seus seios. A excitação, ainda que sexual, misturava-se com a idéia de conforto que aquele tapete passava. Sentia como se pudesse passar o resto da vida junto daquele tapete e daqueles seios.
Mas Paula me pegou desprevenido, no carro, ao lado de minha mãe. Quando me dei por conta do lugar onde estava, a vergonha foi total. A mágica se quebrou. Havia alguém entre Paula e eu, alguém entre o tapete e eu, alguém entre os seios e eu. Os trinta segundos do sinal vermelho tornaram-se eternos. Tentei disfarçar, coçar a testa, olhar para o outro lado, essas coisas. Tudo em vão. Paula já me hipnotizara. Ao perceber que minha mãe me fitava, ruborizei. Era impossível disfarçar a excitação. O sinal abriu e o carro arrancou. Na hora, minha mãe não comentou nada, então desconfiei: teria ela percebido? A confirmação veio mais tarde, quando até o meu avô ficou sabendo sobre o meu tesão pela Paula Burlamaqui, a Burlamáquina, como ele a chamou.
Na época não me interessei em descobrir quem era aquela mulher. Nem mesmo comprei a revista, ainda que Paula tenha se tornado protagonista de boa parte de minhas fantasias juvenis. Mesmo hoje não faço idéia de quem ela seja. Tudo o que sei é que em algum ponto da história ela traiu o namorado durante o Carnaval do Rio. Grande coisa. Se em 1996 ela tivesse um namorado, já o teria traído comigo.
sábado, 19 de fevereiro de 2011
Noturno
Transformando-se em monstros que só um cérebro infantil poderia
Conceber.
Vinte anos depois aprendo a não mais temer a noite
Acostumei-me com o silêncio e com a escuridão e ainda assim
Tem noites em que os monstros da minha cabeça
Não me deixam
Dormir.
domingo, 26 de setembro de 2010
Os Pastéis
Comem pastéis e bebem cerveja
Em algum bar esquecido do Centro
Contam histórias e escutam o futebol
Fazem isso para passar o tempo
Que já não têm.
